RUBENS Barbosa vê pontos positivos na reaproximação Brasil e EUA na Defesa

As recentes reuniões entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema Defesa sinalizam uma reaproximação dos interesses das duas nações em assuntos importantes como rearmamento das forças armadas brasileiras, o desenvolvimento da indústria aeroespacial brasileira e, também, na geopolítica das Américas. Brasil e EUA têm os maiores territórios e populações das Américas. Possuem as maiores riquezas naturais e minerais. E estão debruçados sobre o Atlântico, um confrontando a Europa e o outro a África, ambos com grandes responsabilidades sobre o tráfico marítimo e as riquezas, ainda em início de exploração, localizadas no fundo destes mares.

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Brasil e EUA têm uma longa história de colaboração na área de Defesa. Há pontos marcantes como a participação dos dois países “ombro a ombro” nas duas guerras mundiais do século XX, a participação brasileira em São Domingos entre outros episódios. A própria filosofia de combate brasileira é largamente influenciada pelas forças armadas norte-americanas, que substituíram a Escola Francesa que prevaleceu até a segunda grande guerra.

No entanto, nas últimas décadas essa colaboração diminuiu, o Brasil buscou alianças em países de outros continentes, deixando um pouco de lado os nossos laços com a nação hegemônica da região.

Assim, vimos as nossas forças armadas buscarem navios em nações europeias, aviões de combate na França e agora na Suécia, carros de combate blindados na Alemanha e submarinos na Alemanha e na França.

O Embaixador Rubens Barbosa é dos mais destacados diplomatas brasileiros. Foi Embaixador em Londres e Washington. Ainda no Itamaraty, destacou-se por perceber a importância do apoio da diplomacia brasileira para desenvolver as nossas exportações.

Hoje é Presidente do Conselho Exterior da FIESP e participa do board de empresas e instituições atuantes no comércio internacional. Ele conversou com o ID&S sobre essa nova movimentação de Brasil e EUA no campo da Defesa.

1 – A recente reunião entre Brasil e EUA para discutirem formas de colaboração na Indústria de Defesa pode ser considerada uma reaproximação?
Acho que foi mais que isso. Foi a ampliação da reaproximação que começou com a visita de Dilma a Washington. Jaques Wagner era o ministro.

2 – O Sr. vê possibilidades para empresários brasileiros do setor de Defesa caso o Brasil se reaproxime comercialmente dos EUA em questões de reaparelhamento das Forças Armadas?
Sim, até porque na reunião de Washington foram discutidas simplificações de procedimentos comerciais e outras questões práticas.

3 – Foram discutidos projetos específicos ou apenas possibilidades?
Foram apresentados projetos específicos em andamento para mostrar como é possível desenvolver projetos comuns.

4 – Em caso positivo, o Sr. poderia nos adiantar quais projetos?
Houve conversas entre empresas sobre oportunidades futuras em encontros fora da reunião. Foram mencionados os projetos especiais de sempre. Em dezembro, deve vir ao Brasil grupo de empresas da área espacial para examinar com empresas brasileiras oportunidades de cooperação na utilização comercial da base de Alcântara.

5 – A má vontade norte americana com transferência de tecnologia sempre foi apontada como uma causa para o Brasil preferir comprar de outros países. O Sr. observou uma mudança por parte dos norte-americanos ou dos brasileiros nesse ponto?
Não, porque todos estão aguardando a negociação do Acordo de Salvaguarda Tecnológica, que já tinha sido negociado e assinado durante o governo FHC e rechaçado pelo PT e pelo governo Lula. 17 anos de atraso na colaboração…

6 – Sabe-se que um dos pontos em aberto na agenda de Defesa entre Brasil e EUA é a utilização da Base de Alcântara para lançamento de satélites e outros artefatos espaciais. O Sr. vê uma possibilidade de avanços nesse tema?
Sim, desde que o Acordo de Salvaguarda Tecnológica seja renegociado com os EUA. Enquanto isso não ocorrer, empresas americanas não poderão usar a base para lançamento de satélites

7 – Está confirmada a vinda de uma delegação norte-americana ao Brasil ainda esse ano para dar continuidade os entendimentos iniciados. O Sr. sabe quais os pontos merecerão maior atenção nessa delegação?
Serão a área espacial e fabricação de satélites.

8 – Com a sua experiência em diplomacia o Sr. já viu centenas de acordos e protocolos serem assinados entre países e não irem adiante. O Sr. vê possibilidades de a curto prazo Brasil e EUA reconstituírem suas relações no que tange a Indústria de Defesa?
Acho que sim, desde que esse acordo seja assinado e desde que haja prioridades aqui em virtude das restrições orçamentárias. E também haja interesse das empresas nacionais de defesa sempre muito restritivas a participação externa em nosso mercado.

Por ID&S

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