SEGUNDA GUERRA: Conheça a história dos pilotos brasileiros que combateram na Itália

Pilotos brasileiros que lutaram e perderam suas vidas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial são considerados heróis pelos cidadãos italianos. Diversas localidades guardam monumentos aos aviadores e realizam cerimônias de homenagem. Em abril de 2018, mais de 70 anos após o fim da Guerra, todas as cidades nas quais os pilotos da Força Aérea Brasileira morreram passam a contar com tributos.

Era 26 de abril de 1945. Faltavam poucos dias para o fim da Segunda Guerra Mundial quando o Tenente Dornelles, em sua 89ª missão de combate, teve sua aeronave abatida e morreu. O sacrifício de Luiz Lopes Dornelles e de seus colegas fez parte de uma grande ofensiva dos Aliados para evitar que as tropas nazistas, em retirada, formassem uma nova linha de resistência. Os homens do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA) – Senta a Púa! – são reconhecidos pela bravura e pela capacidade muito além dos padrões da época: 22 pilotos foram escalados para cumprir 11 missões apenas no dia 22 de abril, quando a média de surtidas do Grupo em dias normais era de quatro a seis, um número já considerado elevado. Para se ter uma ideia apenas do desgaste físico, a cada missão de duas horas, um piloto poderia perder até dois quilos.

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RECONHECIMENTO AMERICANO AOS PILOTOS BRASILEIROS
FAB 2 GUERRA 2O ex-comandante da unidade americana à qual o esquadrão brasileiro estava subordinado na Itália, Major General Ariel Nielsen, reconheceu o trabalho diferenciado daqueles militares. “A brilhante capacidade, incansável devoção ao dever e extraordinário heroísmo demonstrado pelos oficiais e praças do 1º Grupo de Caça Brasileiro durante as operações tornaram seus serviços distinguidos e têm refletido grande crédito para eles e para as Forças Armadas Aliadas”, escreveu o oficial, à época.

Assim como o Tenente Dornelles, outros sete pilotos brasileiros perderam suas vidas combatendo na Itália. Na base localizada em Pisa, os brasileiros fizeram os motores de seus P-47 Thunderbolt ecoarem tantas vezes quanto necessário. Seus esforços também foram determinantes para a chamada Libertação da Itália, ocorrida no dia 25 de abril de 1945. Nesta data, os partigiani – antifascistas – e as forças aliadas protagonizaram a libertação da ocupação das tropas nazistas, evitando o retorno do fascismo à política italiana.

HOMENAGENS ITALIANAS AOS PILOTOS BRASILEIROS
Por tudo o que fizeram, os brasileiros são considerados heróis e seus feitos reconhecidos até hoje pelos italianos. A partir de 2018, todas as localidades com alguma representatividade da Força Aérea Brasileira (FAB) durante a Segunda Guerra contam com monumentos ou placas e cerimônias em tributo aos brasileiros.

A cidade de Alessandria, onde os Tenentes Dornelles e Medeiros foram abatidos, foi a última a iniciar as homenagens. “Em um primeiro momento, deverão colocar uma placa no prédio onde ocorreu a queda do avião do Dornelles, que hoje é uma escola. Também trabalharemos em uma parceria com a instituição para envolver os alunos”, explica o Coronel Aviador Max Luiz da Silva Barreto, que foi Adido de Defesa e Aeronáutico na Itália até o fim de 2017.

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O Coronel acredita que as homenagens ajudam a reforçar os laços de respeito e de amizade entre os povos brasileiro e italiano. Também marcam, segundo o oficial, a coragem e audácia dos pilotos brasileiros, que nunca pouparam esforços no cumprimento da missão. “Homenagear e recordar o valoroso sacrifício de nossos antepassados é uma honra não somente para nós, militares, mas para todo o povo brasileiro, que pode sentir orgulho de ter sido magnificamente representado na Itália. Provavelmente muitos brasileiros não sabem desses feitos e cabe a nós, militares, realizar a divulgação e transmissão desses valores. São tantas histórias de abnegação e de coragem que devemos sentir orgulho e nos espelhar nos exemplos deixados”, destaca o oficial.

Tendo participado de diversas solenidades, ele recorda dois momentos particularmente marcantes. “Uma senhora de muita idade veio a mim, me abraçou e disse que só estava viva porque um militar brasileiro tinha dado comida a ela. Fiquei muito emocionado e honrado de ser brasileiro! E na cerimônia de 2017 em homenagem ao Tenente Cordeiro, emocionei-me muito quando as crianças da escola fizeram uma apresentação onde cada uma contou um pouco da história do Cordeiro – eles pesquisaram, aprenderam e transmitiram o exemplo de dedicação e de coragem do nosso conterrâneo. Na palestra que nós ministramos um pouco antes, muitos meninos e meninas narraram histórias de seus avós e bisavós durante a guerra. Eles homenageavam seus heróis e homenagearam heróis brasileiros que vieram de longe combater pela Itália”, conta o Coronel Max.

FAB 2 GUERRA 5O atual Adido na Itália, Coronel Aviador Reginaldo Pontirolli observa o sentimento do povo italiano pelos brasileiros. “Aqueles com os quais tive a oportunidade de conversar demonstram um imenso sentimento de gratidão e deixam bastante claro o reconhecimento de que os pilotos brasileiros foram de fundamental importância na guerra”, diz.

O oficial explica o trabalho da Adidância em relação aos tributos. “Desempenhamos um papel fundamental para manter viva a história e a relevante atuação dos militares da FAB na libertação do povo italiano. A realização dessas homenagens, juntamente com prefeituras italianas, autoridades policiais, escolas e comunidade, consolidam e reforçam os laços de amizade e fraternidade entre os países”, acredita o Adido.

“Para nós, brasileiros, além do reconhecimento rendido aos nossos militares, esses tributos são de extrema importância para manter viva a memória de um povo e lembrarmos para sempre da coragem e determinação dos brasileiros que ali bravamente lutaram”, completa o Coronel Pontirolli.

A grande maioria dos locais de homenagem é aberta ao público, mas alguns museus têm horário de funcionamento e, por isso, a Adidância da Aeronáutica (para informações do 1º GAVCA e da Esquadrilha de Ligação e Observação, também da FAB) ou a do Exército (para informações da Força Expedicionária Brasileira, com destaque à Força Terrestre) deve ser procurada para realizar a coordenação. Além disso, os Adidos podem ajudar para melhor compreensão da situação de cada local.

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PILOTOS DA FAB NA ITÁLIA
Ao mesmo tempo em que conquistava resultados expressivos, o 1º GAVCA – que chegou à Itália em 1944, com 49 pilotos e 417 homens de apoio – perdia, em média, três pilotos por mês, número igual ao da Força Aérea Americana (USAF), incluindo abatidos, mortos, desaparecidos e capturados. Às vésperas do dia 22 de abril, os brasileiros tiveram de tomar uma importante decisão diante das sucessivas baixas: o 1º Grupo de Caça deixaria de existir, com seus pilotos e mecânicos distribuídos nos demais esquadrões aliados, ou continuariam lutando, com um número maior de voos por dia, arriscando mais a vida, mas como uma Unidade brasileira. Decidiram lutar mais. Em 22 de abril de 1945, realizaram 11 missões, cada um voando duas, até três vezes, em intervalos de poucas horas. Por isso, a data foi escolhida como o Dia da Aviação de Caça.

 

Fonte: FAB

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