SEGURANÇA> Mudança no armamento da PM pode aumentar morte de policiais, diz ex-comandante do BOPE

Fonte: Indústria de Defesa & Segurança//

A medida anunciada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro de substituir fuzis e metralhadoras usadas pela Polícia Militar (PM) por armas de menor calibre, carabinas .40 gerou divergência entre especialistas do setor. A medida adotada no Estado aparece na contramão de recentes acontecimentos. Há poucas semanas, a Secretaria de Segurança de SP divulgou que pretende fazer licitação internacional visando justamente aumentar o poder de fogo da polícia paulista. Recentemente o ministro da Justiça, Alexandre de Morais, também declarou que negocia com o Exército Brasileiro um acordo para que as PMs possam usar armas apreendidas de criminosos, como fuzis e metralhadoras .50. Hoje, as armas apreendidas nas ações policiais são encaminhadas para destruição pela Força Terrestre.

.: Leia também: SEGURANÇA> PM do Rio substitui fuzis por carabinas .40

rj_revista_policiais20-1024x728Para o ex-comandante do BOPE coronel Mário Sérgio, a perda do poder de fogo dos policiais cariocas vai gerar aumento da crueldade da criminalidade na capital fluminense. “A Secretaria de Segurança está determinando a perda da ação de enfrentamento com a retirada das armas capazes de promover o combate a esses bandidos. Eu acho extremamente temerário. Eu acho que gera um aumento na confiança do crime para que seja mais violento, cada vez mais ousado e que faça aumentar o número de vítima entre os policiais. Essa medida só vai fazer aumentar a morte entre policiais e, além de aumentar, vai provocar o recuo das forças”, acredita.

“A nossa guerra é um conflito urbano armado, com os criminosos dominando os territórios fazendo as suas regras, suas normas. Eles estão novamente recuperando os territórios, que eles dominavam e nós tomamos, transformando em territórios livres para suas atividades criminosas. Essa não é uma ação da Polícia Militar, ela é apenas cumpridora”, conclui.

O delegado Marcus Neves também acredita que a substituição das armas vai colocar em risco a vida dos policiais na rua. “Vão mandar policiais militares para morrer nas mãos de criminosos. É uma questão de bom senso. O problema não está no fuzil em si, está na forma como se é utilizado o fuzil. Se o policial for bem treinado e utilizar o fuzil numa situação que justifica uma arma de fogo de alto poder destrutivo, é uma necessidade. Agora, é inadmissível você pegar um policial com uma carabina .30 ou .40 e colocar esse policial na rua para confrontar criminosos usando lança-rojão, metralhadora .50, fuzil 762. Isso é um absurdo”, disse.

Segundo ele, o efeito a longo prazo será o aumento da criminalidade na cidade. “Isso é um grande factoide, é algo que não vai gerar efeito nenhum com relação ao combate a criminalidade. Pelo contrário, o efeito será oposto, colocando em risco a vida de policiais. Mais policiais vão morrer na mão de criminosos porque não vão ter como reagir. A gente tem que entender que no Rio de Janeiro hoje a gente vive uma situação de guerra. E não é uma guerra convencional, é uma guerra de guerrilha, que o Estado tem que se preparar para confrontar o criminoso dentro desse parâmetro utilizando os meios necessários”.

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Já o delegado da Polícia Federal Antonio Rayol pensa o contrário. Para ele, o fuzil não é uma arma aconselhável para uso em ambiente urbano. “A carabina é uma arma que vai manter a efetividade do poder de fogo da polícia. Para o ambiente urbano, é uma arma totalmente útil, porque você não vai dar um tiro de 500 metros de precisão. A opção pelo fuzil, na minha opinião, foi um componente muito grande de publicidade. A prática tem mostrado que causou muitos acidentes. Sou totalmente favorável a troca por uma carabina que vai manter o poder de fogo da polícia sem comprometer em nada”, explica.

De acordo com Rayol, os fuzis deveriam ser usados somente por policiais altamente treinados e não em policiamento urbano, como ocorre hoje nos Estados Unidos. “O que eu sou contra é você distribuir fuzis para policiamento urbano. Na maioria das vezes os policiais não foram treinados para este tipo de armamento. O que a polícia vai fazer com uma arma .50? Eu só vejo nisso um componente publicitário. Eu já participei de apreensão de armamento. Muitos vêm em mau estado. Isso é uma medida de efeito prático muito reduzido”, comenta a declaração do ministro Alexandre de Morais.

 

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