ARTIGO: Segurança pública precisa de R$ 3 bi – narcotráfico movimenta R$ 3,5 bi por ano

Xeque-mate

O interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, general Braga Netto, anunciou que a segurança pública do Rio de Janeiro precisa de R$ 3 bilhões. Esses recursos seriam utilizados no pagamento de atrasados, compra de equipamentos, armamentos, viaturas, melhorias de infraestrutura e treinamentos. Esse anúncio confirma o que eu havia afirmado em outras colunas: não se faz segurança pública sem dinheiro, muito dinheiro, ao contrário do que algumas pessoas que não entendem do assunto podem pensar.

Mas o governo federal vai liberar apenas R$ 1 bilhão, um terço do mínimo necessário apontado pelo interventor. Conscientemente, o presidente Michel Temer está dando à população um terço da proteção mínima que ela precisa. E está descumprindo sua palavra para com o interventor. O presidente da República, que já está na fase de pato manco, pois seu tempo na cadeira está se esgotando, não perde uma oportunidade para perder uma oportunidade. Eu disse que a intervenção era política, pela forma como foi feita. Sem qualquer estratégia. Como disse na coluna anterior, em um mês a medida não disse a que veio. E quando fala alguma coisa, o presidente informa que não vai dar o apoio que garantiu que não faltaria. Não adianta querer tirar um centavo dos cofres do estado do Rio de Janeiro, pois a fonte está abaixo do volume morto.

R$ 3 bilhões não é muito dinheiro? Não, é pouco, pois não repõe o que foi retirado nos últimos anos. Em 2017, os recursos da segurança pública representaram 12,6% do orçamento. Em 2016, o percentual foi de 15,1%. A queda foi de 2,5 pontos percentuais. O quanto esse valor é pouco diante da necessidade da segurança pública pode ser destacado com uma comparação simples: vejam o artigo divulgado aqui no dia 02 de março (No Rio, Exército combate indústria que movimentou R$ 3,55 bilhões em 2017), no qual falo sobre o valor movimentado em 2017 pela indústria das drogas no Rio de Janeiro e apresento uma estimativa do arsenal do crime no estado. Aqueles dados confirmam que R$ 3 bilhões é pouco dinheiro diante da necessidade.

Mas há outras medidas, essas de gestão, que podem ser adotadas pelo interventor para colocar mais ordem na casa: uma delas é estabelecer o turno de trabalho. Muitas vezes o policial descobre no dia anterior qual será seu plantão do dia seguinte, especialmente nos feriados. Não existe possibilidade de planejamento. É preciso, é urgente, estabelecer o regime de turnos para os policiais, estabelecidos com antecedência e que só pode mudar em casos excepcionais. Como todo trabalhador o policial tem direito de saber seu turno de trabalho, para programar sua vida.

Um mês depois temos a quarta definição do interventor:

  • A primeira foi repetir a todos os ocupantes de cargos públicos de visibilidade e dizer que iria implantar um choque de gestão (mais do mesmo);
  • A segunda foi selecionar a Vila Kennedy como área modelo da intervenção (sem sucesso até agora, já que a região continua sob o domínio do tráfico);
  • A terceira foi reconhecer que o estado foi derrotado em algumas áreas do Rio e que UPPs (serão 11, no total) serão desativadas porque seu custo não compensa os baixos resultados obtidos (como o resultado esperado era a expulsão do crime e a devolução das comunidades para os moradores, dessa vez com a presença do estado, isso significa reconhecer o fracasso e que o crime é o real dono dessas regiões e da vida seus moradores);
  • A quarta foi o pedido de R$ 3 bilhões, bastante modesto, por sinal, para recuperar a segurança pública na cidade (cada ação do Exército custa de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões por dia, ou seja, os 14 meses na Maré custaram entre R$ 630 milhões e R$ 840 milhões). Então R$ 3 bilhões para todo o estado por nove meses é pouco. Se olharmos o que o narcotráfico movimenta, é ridículo.

E é mais ridículo a resposta desrespeitosa do presidente quando perguntado e ofensivo o valor liberado. Com esse recurso, conte as pessoas de sua família, seus amigos, todos que encontra na rua. Dois em cada três foram abandonados pela decisão do presidente Michel Temer. Podem dizer: pelo menos está ajudando um em cada três. Essa conta só vale se você não acabar no grupo dos dois.

Riley Rodrigues de Oliveira
Diretor-presidente – MC2R Inteligência Estratégica
www.mc2r.net

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