SUBMARINOS bem mantidos navegam por mais de 30 anos

O submarino argentino ARA San Juan não era velho demais para estar em serviço. Embora a vida útil de um navio submergível seja estimada em 30 anos, uma manutenção bem realizada pode estender este prazo em mais uma ou duas décadas sem que a segurança de seus tripulantes esteja comprometida.

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Essa manutenção passa por renovações completas do barco. Ele é levado até um dique seco onde é totalmente desmontado e examinadas todas as suas peças. Todo e qualquer defeito é corrigido e o submarino volta então ao mar. Um processo deste tem o custo estimado de cerca de € 50 milhões.  E é vital para que o ciclo de vida dos submergíveis seja preservado e estendido.

Nações médias europeias mantém em suas esquadras submarinos com 30 ou mais anos de serviço. A Espanha, por exemplo, tem sua flotilha de submarinos com a mesma idade dos da Argentina estando o mais antigo deles em serviço desde 1983.  A exemplo dos argentinos, trata-se de um projeto alemão que foi construído com a participação dos dois países.

É importante notar que submarinos são equipamentos extremamente complexos e não são penas as chamadas nações em desenvolvimento que têm problemas em sua manutenção.  A Alemanha possui uma flotilha de seis submarinos e nenhum deles é operacional nos dias de hoje.  Todos estão atracados à espera de reparos para retornarem ao serviço.

No caso do Brasil, o nosso submarino mais antigo é o Tupi lançado ao mar em 1989, e o mais moderno o Tikuna, em serviço desde 2006.

CICLO DE VIDA
Essa expressão já é um lugar comum na administração de empresas, mas ainda não está assimilada por muitos países quando se trata de armanentos. Compras como submarinos, aviões de caça, apenas dramatizam o que deve ser verdade para a aquisição de qualquer equipamento.  É necessário ter orçado o custo de aquisição e o custo de manutenção desses equipamentos ao longo de sua vida útil.

Por sua sofisticação e pelas condições naturalmente adversas em que são empregados e porque de seu correto funcionamento depende a vida e a saúde dos combatentes eles necessitam de manutenção impecável.  E essa manutenção custa mais do que a aquisição dessas armas.

A Argentina hoje assiste impotente uma tragédia que tudo indica poderia ser evitada. Jornais argentinos de hoje dão conta que a manutenção do San Juan era imperfeita devido a restrições orçamentárias (veja aqui nosso editorial a respeito) e, pior ainda, a aquisições viciadas por concorrências mal conduzidas.

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PROSUB E MARINHA DO BRASIL
Projeto mais importante de nossas Forças Armadas, o Prosub irá fornecer para a Marinha Brasileira cinco submarinos, sendo quatro de propulsão convencional e um de propulsão nuclear. Desenvolvidos a partir de um trabalho comum entre brasileiros e franceses, esses barcos são dotados de todos os recursos atuais em uso nas marinhas mais desenvolvidas, com exceção do armamento nuclear. São poderosas armas que irão promover a defesa da nossa costa marítima de maneira eficiente e com poder para dissuadir aventuras conta o interesse do Brasil. Espera-se que terminada a sua construção e lançados ao mar eles contem com uma manutenção capaz de dar-lhes um longo ciclo de vida e total segurança para suas tripulações. O governo vai gastar R$ 3,66 bilhões só para o desenvolvimento dos submarinos. 

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