TECNOLOGIA> Sem recursos, Rede Nacional de Pesquisa pode ser interrompida em setembro

Fonte: Estadão//

A Rede Nacional de Pesquisa (RNP) pode ter suas atividades interrompidas em setembro. Responsável por fornecer internet de alta velocidade para cerca de 740 instituições de pesquisa em todo o País, a RNP ainda não recebeu recursos neste ano. O orçamento, que deveria ter sido repassado pelos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) em maio deste ano, é de R$ 126 milhões.

.: Leia também: AERONÁUTICA> Brasil e Holanda assinam acordo de parceria em pesquisa

Segundo o diretor da RNP, Nelson Simões, o orçamento previsto já era insuficiente para a manutenção das atividades, que custa em torno de R$ 250 milhões. “Com a redução do orçamento, nós já havíamos paralisado a expansão da rede. Mas, agora, chegamos a uma situação em que precisamos de recursos para evitar uma paralisação dos serviços nas instituições.”

Nos últimos sete meses, a RNP operou normalmente devido aos saldos e recursos provenientes de pagamentos de contratos de 2015, segundo explicou Simões. A rede é ligada ao MCTI e, em 2015, já ficou sem receber R$ 48 milhões previstos em orçamento.

.: Leia também: PESQUISA> IME quer aumentar intercâmbio com a indústria de defesa

A internet de alta velocidade fornecida pela rede é de 1 gigabyte por segundo (Gbps) – 10 vezes a velocidade máxima possível no 4G da internet comercial – e é usada por mais de 4 milhões de alunos, professores e pesquisadores de 1,2 mil câmpus universitários, entre eles os da USP e da Unicamp.

Para algumas instituições a velocidade é ainda maior, chegando a 40 Gbps para o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, que opera a única fonte de luz Síncrotron da América Latina. “Essas velocidades não são possíveis na internet comercial e são necessárias para essas instituições por causa das aplicações científicas”, disse Simões.

De acordo com o reitor da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Cleinaldo Costa, o fim da conexão poderia prejudicar pesquisas como a que está sendo feita em parceria com a USP e Harvard, nos Estados Unidos, que faz uma avaliação do atendimento cirúrgico no Amazonas.

Segundo Simões, sem a liberação de recursos nos próximos dois meses, a rede terá de cortar gradualmente as conexões de internet, a começar por locais em que o custo é maior: nas instituições no interior do País. “Temos 200 localidades em que ainda precisamos fazer a conexão de alta velocidade, mas tivemos de adiar.”

A preocupação do órgão é de que em 2017 o orçamento seja menor do que o valor previsto para a sua manutenção. “Fizemos um grande esforço em montar uma das redes mais modernas do mundo no Brasil. Existimos há mais de 20 anos e nossa preocupação é que a qualidade do serviço seja mantida.”

SEM PRAZO

Os ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) informaram que os repasses devem ser feitos em “data a ser definida brevemente”, sem informar prazo.

O MCTI disse que está “empenhado” em ampliar o orçamento da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. O ministério aprovou repasse de R$ 36,6 milhões para a Rede, 55,2% menor do que no ano anterior, quando repassou R$ 81,6 milhões. “Os repasses financeiros a serem efetuados ainda em 2016 permitirão a continuidade dos projetos. Logo, não haverá prejuízos para as universidades e instituições atendidas pela rede.” O MEC informou que sua parte dos recursos está em “trâmite natural de liberação”.

 

VEJA TAMBÉM EM

53245_6

 

Leave A Reply